Do porto seguro

Do porto seguro

Em 11 de setembro de 2001

Naquele mesmo dia em que de manhã estávamos diante dos canais de notícias assistindo a cenas insistentemente repetidas dos momentos que antecederam e os que se seguiram à queda dos aviões contra as Torres Gêmeas do World Trade Center, à tarde bebíamos cerveja a par da mesa de bilhar, tentando entender o que então acontecia, sabendo-se daquele estado de alerta que se seguiu ao que podia representar a queda das Torres Gêmeas.
Sobre o tecido verde da mesa de bilhar, os argumentos e hipóteses que sustentávamos iam de um canto a outro em conjecturas do que de alguma forma sabíamos como um momento único: a dimensão de história em que vivíamos; o mirar o enredo que se desenvolve e saber em que direção flui.
"Mas e agora?", era pergunta que nos motivava a mirar o ponto branco em direção a um segundo ponto a formar uma linha a que tudo se liga e finaliza.
Era como o alerta vermelho em território norte americano à toda sua armada de guerra num alerta máximo à defesa, mas que naquele momento chamava às armas sem que se soubesse que nação enfrentariam e de onde viria essa possível ameaça.
Algo mais caiu com as Torres Gêmeas.
Os amigos que naquela data reuniam-se tomariam desde então cursos distintos, e muito lentamente deixariam de se falar exatamente como um deles, à época, dizia de si para si a seu próprio futuro e destino.
De minha parte, em fevereiro do ano seguinte, conheceria eu, Ana Balesca,  por meio de chat de bate-papo que se resumia a uma caixa virtual de diálogo em que trocávamos mensagens de texto. Na época ela usava o nickname de "Ingryd", o que me levou a uma conversa com ela como quem conversava com uma pessoa conhecida há tempos idos, a "Ingryd" de São Paulo, e não era. Em nossas mensagens, a ideia de porto seguro norteou nossas conversas e dali veio uma parceria a esse sentido de apoio mútuo. A meu convite, veio ela morar comigo pouco tempo depois, deixando a pequena cidade do interior para viver em uma ilha distante de tudo o quanto até então conhecia de si.
A vida, a dois, começava, sem saberem, os dois, que do "por enquanto", em que já nos dávamos a par, caminhávamos a um "para sempre" em que "sempre" são os anos em que vivenciamos juntos.
Quase sete anos se passam. Em julho de 2008, já sabendo de uma mudança no cenário econômico nacional devido a um contato comercial em Curitiba três meses antes, me propus resguardar nosso negócio, mas minha estratégia, tomada por uma perspectiva errada, não nos preparou para a inadimplência ao fim daquele ano e a então perspectiva de compreender o que era falta de liquidez de obrigações a cumprir e a desconfiança quanto ao sistema financeiro mundial.
Sem maior conhecimento, percebi que a economia é baseada em obrigações a cumprir e capacidade de liquidez dessas obrigações, ou seja, confiança. A falta de confiança no cenário mundial tal como se firmava só reforçava a ideia de que a vida que levávamos nos consumia num frenesi de segunda a segunda-feira sem muito sentido. É quando mudamos de curso.
Em março de 2009, deixávamos realmente a ilha para trás e passávamos a navegar em nossa jornada de buscas e de realizações.
De nosso diário de bordo, 12.11.2015

 

constância

Divulgue!

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