Navegação histórica – início da rede

Navegação histórica – início da rede

Comportamento e cultura na década de 1990

Nas últimas semanas a natureza dos eventos políticos vem exigindo uma análise mais demorada sobre o que é uma progressão de fatos no cotidiano de uma sociedade pós-moderna. Por sinal, esse tema da pós-modernidade no mundo acadêmico da UFSC, principalmente em meados da década de 1990 em diante, estava muito presente nas rodas de discussão dos alunos. Também, com a proximidade da virada do milênio, se dizia do risco (que se mostrou lendário) do "bug" que haveria de paralisar todos os computadores da rede quando ocorresse a virada do ano de 1999 ao ano de 2000.

Além disso, era permanente a busca por sentidos em nossas inquietações particulares, aquelas que nos levavam à evidência de que não estávamos sozinhos em nossos devaneios. Por testemunho, cito a mudança que vi ocorrer quando uma pessoa assume uma nova identidade trocando apenas o nome com que é chamado.

No alfabeto hebraico, aleph é representado com o desenho de um touro.

Nos idiomas semíticos (hebraico, fenício, aramaico, siríaco e árabe), aleph é o nome dado a primeira letra do alfabeto, nome que, não me parecendo ter sido por acaso, foi também título de uma reunião de 17 contos do escritor argentino muito admirado pelos acadêmicos do curso de Letras: Jorge Luis Borges (1899 – 1986), autor de "O Aleph".

"Aleph", portanto, de letra de alfabeto, passa a ser personagem que de maneira muito repentina assume uma forma física ao ponto de dialogar contigo em primeira pessoa, assumindo uma expressão humana. E quem o assumiu como personagem se deu tão perfeitamente bem que raros eram os que lembravam quem era ele e o seu verdadeiro nome.

Vivíamos os primeiros anos de funcionamento amplo da comunicação via rede conectada, (CLIQUE AQUI para saber mais) logo, ICQs e "nicksnames" ainda serviam de login em salas de bate-papos virtuais, fóruns e de acesso à rede, como também era presente a ideia de "pessoas que viriam a se tornar obsoletas" em razão de não fazerem elas uso de uma conta de e-mail para se comunicar, o que determinava, de maneira geral, uma necessidade de se "atualizar".

Na rede, Aleph era um programador que, com seu nickname, prestava serviço pela internet na condição de freelancer, enquanto, por outro lado, "O Aleph", de Jorge Luiz Borges, personifica, na literatura, a natureza metafísica em que a existência humana não se limita a narrativas épicas das grandes tradições religiosas, mas adquire um corpo místico, de uma subjetividade amparada pela interpretação dos textos, das relações de seus significados como traçados dentro de um espaço plano que tudo aceita como escrita. No alfabeto hebraico "aleph" tem relação com a representação de vitalidade, de ascensão, sendo um símbolo de natureza mítico-religiosa visualizado como um touro, não apenas aquele que está Wall-Street como representação física da “força”, do “poder” e da “liderança” desafiado pela menina desde 28 de março de 2017, mas como muitos outros assentados em espaços do pensamento humano.

De modo geral, somos uma geração que nasce em momentos históricos noticiados por ondas de rádio AM/FM, por meio de imagens em preto e branco de TVs com tubos que irradiavam chuviscos ao fim da programação diurna das emissoras de Televisão (raras a contar nos dedos entre um canal e outro). Músicas estavam em LPs e no giro do disco da vitrola, e além disso, usávamos fitas k7s para gravar e regravar "as mais pedidas" que ouvíamos nas estações de rádio. De um ponto a outro, saímos das décadas de 1960 e 1970 com a ideia de existirem máquinas de escrever, que datava do início do século, a chegar ao aparelhos de mídia feitos em larga escala que abarcavam toda experiência de produto cultural que havíamos tido até então. Era um feito completo.

Em 1994 cheguei a ter de segunda mão um "Personal Computer" com processador 386, já defasado em relação ao "Pentium" com processador 486 "de última geração" para a época. Diante do monitor oscilante e da rede discada com uma sequência sonora de chiados, de interferências e som de discagem, lembro de ter ficado 3 a 4 anos com o mesmo aparelho de computador, trocando peças quando necessário, e expandindo, quando possível, a memória do disco rígido. Sobretudo, escrevia romances como livros que viriam a ser publicados pela web de 1999 em diante, isso porque, como um grupo de amigos escritores, nós tínhamos planos de criação de uma editora com páginas em formato de blogs.

Finalmente, saltamos das mensagens de textos instantâneas enviadas através de dados processados por computadores pessoais para aparelhos de smartphones que basicamente possuem todas as experiências acima, cabendo no bolso do viajante.

E assim a experiência acerca da autonomia que se alcança com a tecnologia já estava engendrada logo nos primeiros anos da década de 1990, mas quando há a febre de blogs na rede, por volta dos fins dos anos 90, a ideia ganha maior fôlego pela perspectiva de autonomia financeira pela comunicação via a internet, embora, na prática, apenas Aleph, entre nós, vivia realmente de seus serviços via web.

(Saiba um pouco mais sobre a história dos blogs clicando AQUI).

De nosso diário de bordo, 27.05.2017

#navegacaohistorica continua na imagem abaixo, clique e confira!

 

Divulgue!

Published byGi Nascimento

Gi Nascimento é pseudônimo e avatar de Egídio Mariano do Nascimento, autor de artigos, contos e novela. Formado em Letras pela Universidade Federal de Santa Catarina, é pós-graduado em MBA Planejamento e Gestão Estratégica/UNINTER e em Docência no Ensino Superior/UNIASSELVI, e cursos em Gestão de Pessoas-RH/ Potencialmkt Gestão Empresarial. Desde 2009, desenvolve a experiência de navegação à realização de vida e processo de desenvolvimento humano. Nesse percurso iniciativas de inúmeras pessoas se entrelaçam em busca de alternativas de vivências socioambientais e econômicas. Esse é um relato histórico dessas iniciativas que convergem à nau.

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