nau – De nosso diário de bordo.

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Porto de Recife, por volta de 1900. Fonte: Marinha Mercante

Somos navegadores em nossa nau que está em jornada e na qual nos encontramos a bordo, todos na condição de aprendiz, e nessa condição, ainda que se fracasse em todas as suas alternativas de alcançar êxito de seu aprendizado, terá feito o aprendiz de navegação o seu melhor em todo empenho à transformação. Nossa nau, assim, é também espírito que vem em seu tempo, e por ser espírito desse tempo próprio, também é consciência de um proceder, de um agir, de um por si deliberar de movimentos, traçando-se, desse modo sobre o curso dos mapas, a linha das intenções daqueles embarcados que buscam de si e por meio de si um mundo melhor. Essa é visão de toda uma jornada!

No tempo, nossa navegação começa em dois momentos. Um primeiro com o qual a percepção de navegação e o labor próprio me chega em data incerta do inicio do século passado, data em que se remonta um dizer de família a respeito de quem encontrou jovem e à sua própria maneira, meio de ganhar seu mundo à caís de novo porto. (Esse que se aventurou na condição de marinheiro mercante foi avô de quem escreve agora essa história). E um segundo, um pouco depois do 11 de setembro de 2001, data marcante em que me tomo consciente de um evento histórico de natureza presente à minha própria jornada e na qual especialmente tive a sorte de estar em meio a amigos que naquela data conversavam sobre assuntos de seus momentos de vidas, conversas em torno de uma mesa de bilhar como jovens de seu tempo e lugar.

Mas o segundo momento acontece, de fato, meses depois,  em meio ao período de férias do campus da Universidade Federal de Santa Catarina, quando eu, estudante e aprendiz (que sempre sou), estagiava numa biblioteca setorial esquecida na área de Pós-Graduação de Biologia, área que a todo rigor não compreendia bem a minha.

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Verão, calor e eu literalmente enfurnado em meio a livros de outra área que não era afim a minha, além da existência daquele computador velho que servia de consulta ao sistema de catálogo de títulos interno à biblioteca... Mas que graças a Deus tinha acesso à rede da internet com que se conseguia (não lembro bem como) se acessar as salas de bate-papo on line! Era então meu único acesso a uma comunicação em rede, não sendo à época mais do que seria hoje um grupo no whatsapp em aparelhos celulares pelos quais as pessoas trocam mensagens. Contudo, é nesse diminuto espaço da biblioteca setorial, canto à época esquecido por todos, através de um monitor acinzentado de tela intermitente com obsoleta aparição de letras verdes e área de tela escura, que acabei por conhecer quase que "acidentalmente" aquela que viria a viver comigo nossas primeiras jornadas de nau a porto seguro, jornadas que, aliás, são nossas verdadeiras intenções à viagem que cada qual também em si leva, por meio de si, a alcançar como ancoradouro final.

Gi Nascimento.

De nosso diário de bordo, 14 de setembro de 2015.

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