Navegar é preciso

Navegar é preciso

Em que realidade vivemos?

Já faz alguns anos que construímos essa embarcação virtual e agora toda experiência obtida por meio dela pode nos trazer um novo meio de vida. Recapitulando nossas últimas postagens, lembro de relatar o desembarque que tivemos que fazer à costa, depois de um período intenso de chuvas. Desde que de lá partimos, um sentimento comum é algo que nos une a uma nova perspectiva de vida, na qual parece existir uma alternativa mais forte, e isso acontece de maneira independente da embarcação em que nos encontramos, porque esse é um sentimento que nos transporta para perto daqueles que nos trazem um bem-estar à memória.

Então, em que realidade nos encontramos?

Meu ponto de partida

Esse sentimento de embarcar rumo a um destino desconhecido por mim é algo que parece ser inato a qualquer um que tenha diante de si algum horizonte como lugar possível a seu próprio respeito.

Falo por minha experiência: quando se inicia a consciência de que existe um mundo para além da existência do perceptivo como um algo contínuo e evidente de si (porque não há dúvida), e que parece ocorrer na primeira infância de qualquer ser humano, uma espécie de luz guia nos mostra o caminho à nossa própria consciência de mundo, daí toda experiência que se trata de aprendizado consigo.

Por várias vezes recordo em minha história pessoal essa natureza de fatos que eu seguia sem muito compreender que esses existissem, ou não, para o mundo “dos homens”. E me parece natural que as ideias a respeito desse estado primeiro de consciência seja comum a todos nós.

Depois, antes que eu soubesse onde ficavam os limites entre o “mundo dos homens” e a realidade em que eu me alimentava como um processo de escolhas para estar nele, existia esse espaço sutil em que se observa um inocente interagir despretensioso de todos os atos, não cabendo uma segunda visão a respeito do seu aprendizado interior que a tudo observa sem nada julgar ou sem antes passar pelo crivo da experiência pela própria necessidade dessa experiência sem prejulgamentos.

Vimos assim, que há uma estrutura guia que suporta a imagem deste sujeito no mundo. E curiosamente essa “matriz” revela também os suportes que dão manutenção ao estar sujeito ao mundo.

Muitas e muitas vezes ouvi que eu não entendia de “como realmente tudo funciona” na vida das sociedades em que crescemos como cidadãos. Sinceramente, existe essa “outra” realidade de que falam numa terceira pessoa como se essa subsistisse a toda realidade humana, sendo fundamentalmente as entranhas dela.

E aí? Pergunto-me eu, e se fossem essas as entranhas dessa realidade objetiva de interesses perpétuos entrincheirando espaços que se julga normalmente adequado à ideia de sobrevivência quando se pode notar, também, a tênue linha que separa a questão de sobrevivência em relação a da escravidão quanto aos fatos.

 

A ideia sobre "peter pan"

Pois se torna necessário refletir sobre o ponto de partida acima como uma resposta relutante em se admitir fatos concretos, e que são abstrações de natureza ocidentais e compulsórias quanto à cultura em que se manifesta a sociedade.

Pode-se chamar de “senso comum”, embora tenha, nesse sentido, um crivo pejorativo de um estado de crenças “naturais” a respeito de uma forma dada pela organização da vida em sociedade. Mas não.

O “senso comum” aqui é sim um objeto de espelhamento da realidade psíquica em que acreditamos viver por coabitarmos o mesmo espaço geográfico, embora não ocorra de mesma forma quando se trata de espaço subjetivo.

Essa é real diferença na perspectiva de quem cresce como “Peter Pan” em sua “Terra do Nunca”, por que?

A ideia da conquista de um realidade subjetiva de aventuras e de odisseias como as narradas em livros é tópico do sonhador, daquele que se encanta com a perspectiva de futuro possível, ainda que imaginário, mas vivenciado pela realidade subjetiva de sua interpretação sobre sua ação quanto ao mundo. É quando dizem: “Síndrome de Peter Pan!”

 

um mundo novo possível

Quando se toma uma trilha com que se envereda pela mata alta, a sensação de quem se sente absorvido pela caminhada é também a de um “estar consigo” todo “conectado” à realidade da mata, por uma questão instintiva que faz do ser humano quem é durante um processo de jornada. 

Por exemplo, enquanto digito aqui no computador, o som que me ocorre à memória é a de quem digita em um teclado de uma velha máquina de escrever, no meu caso, a que provavelmente usei para redigir meus primeiros escritos “literários” em minha segunda infância, quando entrei em contato com o mundo literário, sendo esse apenas um outro mundo possível.

E essa é, aqui, minha principal questão para a reflexão sobre a qual me dedico: por inúmeras vezes ocorre na vida da gente esse momento de transformação da realidade através da interpretação que fazemos dela, quando se espera uma mudança também das circunstâncias de vida em que nos encontramos, e a isso nós podemos de chamar de “capacitação” humana.

Os “mundos possíveis” são, portanto, exercícios de futuros alternativos em um campo de atuação profundamente dinâmico em que formamos nossas relações subjetivas de interpretação de mundo. 

Em nosso relato, as narrativas ficcionais de “As Ilhas Virtuais“, por exemplo, são registros de passagens por eventos com os quais aprendemos.

Elas fornecem alternativas de visão a respeito de momentos pelos quais passamos de maneira muitas vezes comum e não sabemos. É, então, que procuramos sanar as nossas dificuldades pelo que se compartilha de comum, a título de crescermos como comunidade mais ampla, daí alguns futurologistas tratarem do conceito de “Arquipélago”.

 

A distopia do sem lugar

Em realidade de um mundo subjetivo tão determinista e raso pela inflexão da existência de suas partes, esse estará condenado mais a servir de prisão e à escravidão de seus sujeitos, do que à liberdade de reflexões desses mesmos sujeitos quanto a novos mundos possíveis, nos quais estão as soluções reais para desafios que são novas margens de limites às ações sobre o mundo.

Hoje, 05 de outubro de 2018, é uma manhã leve de Primavera com nuvens contra o horizonte. A natureza da vida tem seu ritmo e isso deve ser levado em conta quando pensamos que nuvens são passageiras, e que tormentas no oceano são comuns pela própria natureza da jornada em alto-mar.

Seguimos em frente, esperançosos.

Gi Nascimento

De nosso diário de bordo, 05 de outubro de 2018

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Published byGi Nascimento

Gi Nascimento é pseudônimo e avatar de Egídio Mariano do Nascimento, autor de artigos, contos e novela. Formado em Letras pela Universidade Federal de Santa Catarina, é pós-graduado em MBA Planejamento e Gestão Estratégica/UNINTER e em Docência no Ensino Superior/UNIASSELVI, e cursos em Gestão de Pessoas-RH/ Potencialmkt Gestão Empresarial. Desde 2009, desenvolve a experiência de navegação à realização de vida e processo de desenvolvimento humano. Nesse percurso iniciativas de inúmeras pessoas se entrelaçam em busca de alternativas de vivências socioambientais e econômicas. Esse é um relato histórico dessas iniciativas que convergem à nau.

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