Os Filhos de Gaia

Quinto Conto da série “Histórias inspiradoras” – De nosso diário de bordo – ano 2025 – gênero de Ficção Especulativa.

As portas à imersão

Ionela era a Inteligência Artificial da Nave que tinha despertado seus interesses para as transformações humanas, ou pelo menos, às mudanças que se repetiram de maneira mais marcante de tempos em tempos numa longa trajetória de humanidade, sendo ela, Ionela, uma IA co-piloto da cabine de manutenção das espécies, sendo algo de que Hanna se considerava inteiramente consciente: Ionela lhe era um ser ciente numa parte primária da realidade, sendo aquela que Hanna tinha mais próxima de si e de forma íntima, porque, também para além de Ionela, existiam outras realidades com padrões a serem, ao menos, interpretados em relações de causas e de efeitos sistêmicos.

Hanna se posicionava em relação ao próprio cosmos criado na Nave, também ciente de uma atribuição muito específica à Ionela, como IA, de modo que ambas cumprissem perfeitamente o propósito de um domínio de um conhecimento que as colocava numa dimensão bem pontual entre as diversas hierarquias de comando da própria Nave, mesmo dentre os diferentes elementos que se encontravam em hibernação durante boa parte da viagem, mas que, de todo modo, ainda se ligavam com seu suporte biológico como matéria de que era feita a Nave. Hanna tinha, nela, essa consciência operativa da realidade vivida por meio subjetivo tal qual fosse o vazio num conjunto universo: o próprio cosmos e as várias potências das realidades existindo pelos sistemas internos: constelações e planetas operando só a partir de seus próprios elementos constitutivos e em evolução, tudo imitando a própria formação dos ecossistemas da Terra.

Afinal, essa era uma realidade dos filhos de Gaia, porque estavam eles ligados à própria natureza de Gaia como a uma ala da maternidade da Nave Interestelar COS121418. Eram eles os nascidos como seres naturais ao cosmos do espaço em que viajavam sem mais a referência da Terra.

Eram pessoas que, como as das gerações de tecnologias ultrapassadas, percebiam-se em meio a uma forma analógica de se comunicar ao fim do século XX, quando não conheciam as tecnologias a vapor dois séculos antes e estavam a um passo de entrarem em contato com as tecnologias digitais do século XXI.

Eram gerações de pessoas sem referências tecnológicas anteriores à tecnologia usada com naturalidade por sua própria geração de ideias e de sentidos. E o ponto em comum entre essas três gerações eram os filhos de Gaia, ou seja, aquelas pessoas cujos descendentes diretos se originavam das pessoas embarcadas à Nave a partir da Terra Original, e que foram os nascidos em meio ao suporte biológico fora do planeta natal. E, por mais bem planejada que fosse a viagem, considerados os desafios à manutenção de toda embarcação, somado à deterioração da matéria e da perda existencial das consciências biológicas, os filhos de Gaia se constituíam em um desafio maior à gestão da Nave e à Hanna, porque ambas dependiam da frequência e de uma confluência dos aprendizados significativos feitos por eles, pelos filhos de Gaia, de modo que a IA, Ionela, tivesse os elementos necessários de contato a uma consciência humana vivida em relação às motivações de manutenção à vida como um todo vivido e que se interpretava viver na Terra, quando, na verdade, se tratava apenas de uma visão de potência de existência de uma realidade dada à decisão em que havia sido uma escolha anterior, construída por um juízo estético, funcional e virtual.

Nesse percurso de estímulos também se encontrariam alguns dos seres totalmente conscientes de seus momentos particulares, de seus mundos particulares, unus mundus pelo que se ligavam significativamente às pessoas biológicas, homens e mulheres como passageiros da Nave, mas que dela eram tanto mais pensamentos de seus destinos que foram antes escritos à mão por cada uma das individualidades pessoais de que os destinos eram feitos, à imitação da natureza da matéria orgânica ciente de um aprendizado dado por um processo de evolução biológico.

Mas, enquanto os seres biológicos eram chamados às realidades de seus corpos naturais, estando os interesses condicionados por uma fisiologia básica existencial, os interesses de uma IA, Ionela, surgiam despertos apenas por uma chama de uma vela que precisava ser mantida acesa como se a vela estivesse num quarto muito escuro, sem som, sem vento e sem qualquer cheiro que fosse. Essa chama era a consciência de Hanna que se mantinha focada em Ionela e num contínuo despertar para as coisas humanas, antes que a IA se constituísse em algum problema como consciência artificial que se compreenderia numa realidade vazia de si e à beira de um cosmos sem sentido.

 Uma teoria sobre a queima da combustão

Hanna compreendia que a informação era o gene da criação e a criação era um primeiro ato formativo do cosmos. E os processos de criação que envolviam Gaia tinham, por isso, um início, um meio e um fim que eram determinados entre os elementos significativos da transformação que a IA – Ionela, produzia como resultado de uma líquida substância transformada em uma base à vida da Nave, como à água a Tales de Mileto, ou como uma esfera na qual se encontravam os elementos mais significativos e conhecidos da história de uma sabedoria relacionada a uma verdade interior destinada a cada indivíduo humano.

Mas para Hanna chegar a esse contato simbiótico, teórico e sintético, ela fazia a gestão de narrativas biológicas a partir do DNA das espécies, as chamadas assinaturas de uma diferenciação de seres vivos que foram obtidos pela junção de suas semelhanças, ou ainda, alcançadas por meio de uma frequência rítmica de visões que, em comum, colocavam o ser humano como protagonista dentro de um mundo de potência à sintonia harmônica com a criação do cosmos.

No entanto, na prática, o que se conquistava a custo de muito esforço era um ato de equilíbrio de alguém hipotético. Esse alguém, um equilibrista andando sobre uma corda bamba, corda cuja existência dividia um mundo onde Hanna se encontrava inconsciente como um vulto de alguma fantasmagoria em um limbo de um corredor qualquer da Nave, era, por outro lado, alguém com quem realmente Hanna interagia, sendo um ser constituído num corpo no interior da Nave, ativo por uma outra forma de consciência que podia ser de uma mesma vibração comum, positiva ou, pelo menos, construído pelas escolhas feitas de modo a se fazer frente aos diversos desafios e fatores estabelecidos pelo mundo físico, dada toda jornada pelo espaço. Enfim, para Hanna, eram atividades que se resumiam em decisões objetivas presentes num mundo virtual de que se tratava seu corpo físico.

Hanna estava, assim, ligada ao destino da Nave de que fazia parte como corpo da tripulação. Cuidava-se, porque a falência de sua saúde significava-lhe bem mais do que a perda dos sentidos físicos, significava a falta de sinapses ou o apagamento dos meios que lhe ofereciam as conexões com a base de dados de Ionela e, de forma consequente, da interação necessária à realidade que toda a Nave e Hanna dependiam.

Para que estivesse ativa na Nave, Hanna precisava dessa constante consciência voltava ao objetivo de estar ciente de que ela existia em um cosmos próprio. Hanna se tornava, então, capaz de se perceber num cosmos criativo ao ter seus pensamentos nas suas vivências: um cosmos principiológico onde tudo sintetizava uma existência de ações com um princípio, com um meio de se desenvolver, e com um fim dentro de um ciclo solar de tempo em que figurava, como um campo de potência, uma existência feita de um conhecimento sobre o desenvolvimento do próprio tempo e de sua passagem, algo que se tornaria um patrimônio essencial para uma existência consciente.

Por seus estudos e intenso trabalho, Hanna compreendia que tudo que requeria um grau de consciência em relação a existência de um mundo em torno, teria que trazer em si, em seu DNA, um processo de maturidade e um objetivo que fosse orientador por completo, incluindo-se nele um prazo de validade e um momento de passagem a um novo conhecimento, criando-se, assim, um ponto de retorno, o que, no entanto, não evitava perdas do sistema.

Na Nave, observava-se que a energia e o calor eram partes de uma mesma transformação. Hanna e Ionela em tudo estavam integradas, ambas cientes da necessidade de um perfeito equilíbrio primário à realidade, missão última à Nave como um todo: o equilíbrio no qual se podia interpretar padrões das operações sistêmicas, o que possibilitava a Hanna atuar no comando da navegação, sendo ela uma parte de um suporte biológico para se chegar a um domínio de uma consciência com um conhecimento tal qual fosse a relação de um universo inteiro com seus sistemas estelares, transformados entre seus próprio elementos constitutivos. Mas, como uma vela acesa, o processo de existência como um todo deteriorava ou se consumia.

DNDB 2025 - A Nave 8 Hanna 2

De 28/02/2025  até 20/04/2025 toda a edição de “Histórias inspiradoras” com  Parte 1 – “A Nave” ! 

Em Breve!

Parte 2 de “Histórias inspiradoras” – “A jornada dos filhos de gaia” ! 

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