Registro 01  — Narrativa

Era evidente que a moça buscava se orientar.
Embarcou no ônibus às pressas, logo atrás de um casal que também subia rapidamente os degraus e se acomodava nos primeiros bancos, próximos à catraca — onde já não havia cobrador.

Tudo aconteceu numa fração de segundo.

Sozinha naquele pequeno vácuo que se abriu depois que o casal embarcou, a jovem teve de decidir: subir também, sem saber exatamente o destino do ônibus, ou permanecer ali e arriscar esperar o próximo.

Subiu.

Sentou-se perto do banco ocupado pelo casal. Não demorou muito para perceber que havia embarcado no ônibus errado — errado, ao menos, em relação ao destino que imaginara para si.

Levantou-se.
Puxou a cordinha.
Olhou ao redor com inquietação.

Recorreu ao celular, como quem procura um ponto fixo no meio do movimento.

Foi então que o casal, que permanecia ali desde o início, a orientou.

Gi Nascimento
De nosso diário de bordo — 10 de março de 2026, 08:04 da manhã.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *