As cordas do cais
Edição Especial de Inverno 2021
Pelo mapa de navegação, Bella pode ver, em um ponto específico, o mundo distópico no qual lançaríamos âncora dentro daqueles breves instantes. Foi por uma “fresta”, portanto, que a linha do tempo se descreveu diante da visão de Bella de modo que seu espaço imediato se fragmentou em minúsculos pedaços para se reagrupar numa imagem de uma plataforma com 20 metros de largura por uns 120 metros de comprimento, espaço que Bella percorreu.
Diria-se de uma pedra, colocada como pier frente às águas, que sua finalidade ali, ao fim daquele trajeto, era a de servir de trampolim. Bella observou que, uma vez alcançada a pedra, teria que saltar na água, da qual sairia, depois de nadar, do outro lado, sendo esperada por uma amazona.
Durante o percurso a nado, Bella notou corpos abaixo e ao fundo das águas, e que pareciam advertir a quem desejasse chegar a outra margem, de que fosse piedoso de coração, bom para si e para o próximo, quando, em seguida, Bella chegou a outra margem em que pessoas a cumprimentavam.
A amazona foi a primeira a recebê-la de braços abertos. Era quem parecia liderar aquele grupo de pessoas que jogava vôlei na praia. E que tinha parado a partida para que ela se juntasse à brincadeira.
A bola foi atirada para longe num lance em que uma pessoa pareceu querer afastar Bella da areia. Bella, sem muito se preocupar, foi na direção da água para pegar bola quando algo prendeu seu pé, mas uma pessoa a ajudou a livrar o pé preso, depois do que Bella voltou à pedra, de onde, antes, tinha saltado.
Pela fresta, passou a outro espaço, e nesse novo espaço, notou que cordas bem finas pareciam fios relacionados às máquinas bio-orgânicas que poderiam ter uma forma de vida gelatinosa. Por intuição, imaginou que não ofereciam perigo. Para a esquerda das cordas, estava uma janela pela qual se podia ver o mundo exterior.
“Um deserto”, tomou nota no diário ao encontrar do lado de fora de nossa nau um deserto de neve, quando teve a impressão de ter avistado uma floresta, porém muito ao longe.
Não tardou para um menino surgir ao seu lado estando a frente de um grupo de homens gigantes que o acompanhava. Bella sabia que conversariam por horas dali em diante, embora a percepção do tempo não pudesse ter um sentido preciso e, por isso, talvez se resumisse a segundos a companhia do menino e da estranha comitiva de homens gigantes. O espaço, entorno dela, se fragmentou em minúsculos pedaços como se fosse uma realidade sendo sacudida por um terremoto que a tudo leva ao chão. Bella não sentia receio, e assim, com tranquilidade, pegou os fios e os utilizou em torno dos braços. Os fios se transformaram em água que se conectaram a robôs. O menino, agora órfão do grupo, se surpreendia em perceber que os fios estavam vivos. Por mais tempo que tivesse ficado naquele espaço, ele não tinha cogitado a hipótese de que os fios fossem algo vivo, e que pudessem mostrar o caminho que os levariam à saída.
Bella Lewis
Navegadora temporal protagonista na Edição Especial de Inverno 2021 – De nosso diário de bordo
Edição Especial de Inverno 2021
Ficções Especulativas
De nosso diário de bordo
Período de 09/07/2021 a 31/07/2021
Tripulantes de nossa nau
De nosso diário de bordo 2021
Nossa Nau – um diário virtual de nossa navegação histórica, um blog sobre nossa jornada que se registra por meio do espaço conceito de institutoshoin.com.br
Por que “Instituto Shoin – Espaço Conceito”?
Uma instituição são pessoas que compartilham uma visão de mundo ou um propósito comum. Com o intuito de servir de abrigo às iniciativas pessoais de transformação dos meios de vida a um bem-estar, nasce o “espaço conceito” do “Instituto Shoin” como site a blogs pessoais e ficcionais para uma narrativa iniciada no final da primeira década do atual século XXI, em fins do ano de 2009, sendo que o termo “Shoin” tem tradição de origem nipônica, a significar um espaço específico dentro das habitações japonesas que são destinadas a receber visitas e a ser um ambiente de diálogo, de estudo e de meditação.


