A Aldeia De nosso diário de bordo
Qual história você está transmitindo pra você mesmo ao longo de sua vida? O poder de contar histórias é uma prática antiga, é o de levar à experiência pela palavra e o aprender o que significam os elementos narrados como expressões de vivências que se teve com qualquer evento ou encontro, e neste contexto de nossa Aldeia, cada habitante envolve toda uma história particular em um mesmo mundo compartilhado.
Pode ser realmente muito antiga a relação entre os felinos e os seres humanos. A companhia dos gatos, ao menos para nós, se tornou marcante por um intenso aprendizado relacionado aos temperamentos, à convivência, aos limites e exigências de convívio, mesmo entre os bichos e seus hábitos.
Depois do pato, partindo-se de eventos mais recentes para os mais distantes no tempo passado, convém falar um pouco dos gatos de nossa casa, vivendo eles conosco há quase um ano, já que aqui chegaram no Natal passado, doados a nós, com carinho, pela protetora Bruna (@bigodinhos_anonimos) que, na companhia do marido, nos trouxeram os nossos quatro gatos ainda filhotes.
Aliás nesse dia, na chegada deles, a emoção tomou conta da gente, e foi bom perceber que, tanto na despedida e quanto no encontro, todos os presentes se sentiram em casa desde o princípio. Foi marcante, porque, afinal, aquele ano de 2022 não tinha sido fácil, questões de saúde e de mudanças definidas por várias necessidades não nos levavam, no final das contas e por mais que tentássemos, a nos sentirmos em casa em nossa própria casa, sofrendo, a gente, algumas consequências curiosas nesse percurso.
Agora, com o Natal de 2023 se aproximando, a experiência de convívio com os gatos nos mostra que algo essencial se vive num cotidiano.
A nossa gata Cacau, por exemplo. Ela tem um tempo relativo só dela para tudo que quer ou que precisa. Cacau tem pelagem preta e um pouco longa, tem feições gatonianas à egípcia e um “ar” de desdém como se ela filha de um faraó: herdeira de um poder de censurar, apenas pelo olhar intimidador, qualquer mortal. Afinal, Cacau tem um quê de sua “mãe”, por quem foi adotada, e é incrível que, na convivência entre uma e outra, a correspondência de suas personalidades caibam tão bem num mesmo espaço de diálogo, ao qual ambas se entregam sem muitas palavras audíveis, mas na relação da proximidade com que se encaram, aproximam-se e se repelem conforme o humor e o dia.
Então, por provável irmão de Cacau, pois não temos bem certo, já que os quatro gatos foram encontrados abandonados bem pequenos em um saco à beira da estrada, é o nosso gato Cookie que, de mais a mais, é do tipo reservado e um tanto temperamental, porque reclama ao menor toque da gente em seu pelo preto mais curto, tendo ele um corpo musculoso, além de uma devotada atenção ao que quer, sem rodeios.
A Kiki e a Íris são as gêmeas cinzentas com patas e rostos de pelagem cor bege escurecida. Ambas as gatas desfrutam da imprecisão que nos geram pelas semelhanças que elas possuem. Mas o temperamento de uma e a postura da outra nos levam a reconhecê-las cada qual como é, exceto eu que, às vezes, ainda me confundo.
Mas, passados alguns meses depois que os gatos aqui chegaram, foi que se deu um evento em particular na Aldeia, algo que se tornou um marco divisor dos cuidados necessários quanto aos gatos e aos demais habitantes.
Era final do dia e estávamos nós cinco já dentro de casa, mas os gatos, ainda aventureiros, aproveitavam a noite, que chegava, para caçarem insetos ou outros animais com os quais se divertiam, brincando de pega-pega com suas patas.
Uma vez que eu precisava fechar a segunda cabana que antecede a nossa casa principal, sai em direção a mesma para fechar as janelas e as portas e retornar à escrita De nosso diário de bordo que, à época, se tratava da série “A Lua e a Rua” em seu início.
Ao que eu percorria a calçada, que liga a cabana à casa, uma intuição me dizia para chamar os gatos para dentro de casa. O dia inteiro havia sido agitado por conta de um bando de macacos famintos. Esses pulavam pelas copas das árvores e faziam sons guturais de certa violência diante de um outro bando de macacos, esse de pequenos saguis que estavam em desvantagem numérica e que levaram um “corridão” do outro bando de macacos maiores e mais numerosos.
Ainda assim, teve quem não considerasse essa intuição quando, no caminho, vi nitidamente a gata Kiki no quintal atenta a qualquer coisa que investigava já no meio da mata e no meio da noite que avançava. Entrei na cabana onde fiquei por cerca de quinze minutos para fechá-la por dentro. E foi o tempo que bastou para, ao sair da cabana, voltar a ver a Kiki no quintal, mas já com o rosto deformado por uma provável mordida de animal que tinha dentes longos e bem afiados ao ponto de cravá-los na cabeça dela.
A mordida, em questão de minutos, inchou a região. Nas horas seguintes dava pra dizer que Kiki estava com uma infecção e dor; depois, com o transcorrer da noite, deu para se perceber que ela seguia o instinto de se recolher porque talvez estivesse morrendo. Foi logo cedo de manhã que levamos a Kiki ao veterinário, onde ficou internada para tratamento com antibióticos e sob observação por três dias, até que teve alta e se recuperou ao longo de um mês já em casa.
De nosso diário de bordo, 19 de novembro de 2023
“Para Lançar Raízes” é a ideia da visita de um pato na Aldeia!
Acesse AQUI a postagem de 26 de novembro, como em um folhetim, você vai ficar a par de “Instinto e intuição”
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Gi Nascimento
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