A Nave

Após uma jornada de mais de um século pelo espaço, a Nave Interestelar COS121418 está de volta ao planeta Terra! Nesta história emocionante, conheça Hanna, uma bióloga de 38 anos especializada em Genética de Recomposição Ambiental. Acompanhe seu dia a dia a bordo da nave, onde ela se dedica à engenharia genética para preservar as espécies do banco genético. Como será o reencontro com a Terra e os desafios que a aguardam? Junte-se a nós nesta exploração fascinante da ciência, identidade e a busca por um futuro sustentável. Não esqueça de curtir e compartilhar este post com seus amigos!

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A Nave

Conto da série “Histórias inspiradoras” – De nosso diário de bordo – ano 2025 – gênero de Ficção Especulativa.

Essa era sua primeira experiência de viagem Interestelar e teria que lhe ser a última, porque, do contrário, não toleraria mais passar pelo mal estar dos anos transcorridos no espaço a partir da Terra, daquela que resistia em sua memória como uma lembrança que, aos poucos, desaparecia num mundo já distante no tempo, e da outra na qual Hanna chegava, a Terra do ano de 2151 da Era Comum. 

Hanna era Bióloga e Geneticista da Nave Interestelar COS121418, trabalhando na viagem com a produção de reserva biológica para desenvolvimento de futuras colônias habitáveis a humanos. A coleção sob sua responsabilidade representava uma esperança de trazer um novo mundo ao que restara da Terra original depois da partida da Nave.

A Nave Interestelar COS121418 representava o que se chamaria de herança final da realidade em que a tripulação se originava. Como uma arca de um tempo imemorial, COS121418 tinha a natureza de se compor da diversidade da Terra, chamada de Original em razão do momento da partida da Nave para o espaço, viajando-se por quase um século, num ponto do tempo e do espaço do qual a Nave, simplesmente, retornou à Terra que, por sua vez, já não era mais a mesma de um século antes.

Hanna tinha 38 anos no ano em que embarcou na Nave COS121418

Por mais de cem anos viajando pela escuridão do espaço infinito, Hanna e a tripulação da Nave COS121418 conservavam uma aparência jovem, ou seja, a aparência que tinham no momento da partida deles da Terra. Se por um lado, não envelhecer lhes era fato positivo quanto à viagem, por outro lado, a ausência da referência da luz solar os levou a um tormento não natural para as suas longas vidas, sendo algo que os levava a um isolamento voluntário nas cabines como efeito de uma disciplina contínua que se tinha às atividades que permitiam que a Nave por inteira se mantivesse navegável.

Além disso, as relações de convivência por um longo tempo não simplificavam as atividades conjuntas, o que, no todo, influenciavam os desajustes e os resultados das correções de curso e de navegação.

Mas Hanna não fazia parte da equipe principal de navegadores. E todo o tempo que ela tinha livre com isso, tinha ela consciência de si mesma, estudando e se envolvendo com os resultados de seus estudos ao compreender que deles dependiam a continuidade ou não da diversidade da vida que havia existido sobre a Terra, e que dependia da manutenção de alimentos produzidos para consumo no “Ovo”.

Sua missão, assim, se constituía vital a toda Nave, por mais que houvessem embarcados os diversos especialistas que estavam em distintas funções na manutenção e no gerenciamento da viagem, à finalidade última que era feita de um cubo onde estava preservado um banco genético gigantesco de todas as espécies vivas.

Era Hanna quem viria a trazer, do material genético, todas aquelas criaturas criogenéticas à vida que, originalmente, teria se suposto desaparecida após a hipótese de um cataclisma global, embora do qual não teriam eles, ainda, uma única certeza a respeito, porque tudo que sabiam tinha origem em vestígios do que teria restado do século XXI. 

 

A tripulação a bordo da Nave Interestelar COS121418 havia partido no século XXI com um pouco mais de trinta cosmonautas especialistas, pessoas que tinham suas origens em países dos seis continentes. Além da tripulação, haviam os passageiros e residentes que viriam a compor parte da Arca, finalidade última da jornada.

A ponte de comando da Nave ficava à responsabilidade de equipes de navegadores que se revezavam na manutenção da programação de voo. Os navegadores, de maneira geral, eram profissionais especializados, também, em outras áreas de conhecimentos além da navegação, e, por isso, empreendiam seus próprios projetos e faziam de seus estudos a natureza de suas buscas.

Era durante a dedicação ao serviço em relação à manutenção da Nave que a tripulação encontrava, no transcorrer dos anos, uma maneira de não se perder seus respectivos destinos, a não perder a esperança diante disso, resistindo ao sentimento de abandono em que todos se abalavam pela ideia da existências deles perdidas no espaço, dada que a tripulação se dedicava à rotina numa imersão de relações que, a depender do Comandante, haveriam de levá-los a maiores ou menores números de interações decisivas entre os navegadores para uma única experiência de jornada. 

A rotina a bordo da Nave COS121418 tinha uma programação mínima de atividades exigidas da tripulação para a condução da viagem, estando essa compreendida no ciclo de 24 horas terrestres, uma vez dividida entre horas dedicadas ao sono e ao simples descanso, até às horas dedicadas às atividades físicas, às de estudo e às horas de trabalho, algo não muito distante da realidade de que todos os tripulantes haviam partido, o que particularmente a cada um representava uma conexão com seu próprio passado que, a rigor, eles só conservavam na memória, não havendo outros motivos para os quais se dedicassem ao continuo ato relacionado ao fato de se contar as horas e de se despertar por um mesmo ciclo mínimo por mais de cem anos. 

DNDB 2025 - A Nave 8 Hanna 12
Hanna em sua rotina na Nave COS121418

No ano de 2151 da Era Comum a Nave Interestelar COS121418 aproximou-se da Terra para desembarcar o conteúdo da Arca conforme programação dada à missão da Nave na partida da Terra Original. Desde daquela data, mais de um século havia se passado e os pouco mais de trinta tripulantes se mantinham os mesmos no comando da viajem.

 

A intimidade de uma mesma rotina para Hanna se tratava de um desafio. Era-lhe um manter uma realidade combinada por ideias subentendidas quanto a um bem-estar comum à passagem das horas que poderiam ser consideradas eternas nesse convívio. E, portanto, o isolamento nos laboratórios de trabalho trazia algum conforto pessoal além de ser um reforço à identidade de quem era cada um na sua atividade adequada à navegação. O que escapava a isso, refletia a premissa que cada qual ali se tratava de uma cabeça transitando no escuro do espaço infinito, e como tal, só podia contar com sua própria consciência como lanterna no escuro.

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