O Ovo
Segunda parte do conto “A Nave”da série “Histórias inspiradoras” – De nosso diário de bordo – ano 2025 – gênero de Ficção Especulativa.
No espaço cada ponto luminoso é uma esperança, um momento de se propor que existe algo além da Nave para uma existência e uma realização ao fim da busca.
Uma cápsula-semente de um protocosmos a ser iniciado no retorno da Nave COS121418 à Terra.
Desde o primeiro momento em que havia pensado no assunto, Hanna tinha a viajem pelo espaço interestelar como um ato de fé lançado ao desconhecido no qual ela se encontrara, diante da ideia de uma existência de vida que se daria em algum momento futuro: a Terra como um organismo vivo no espaço, girando, e talvez sendo a única semente do cosmos, por nós, conhecida, para além da Nave COS121418 que, ao imitá-la, se tratava de um Organismo Biológico-Sintético dentro do qual existia o OVO – Organismo em Vórtice Orbital, criado para manter os ecossistemas da Nave em equilíbrio.
Hanna pensava sobre a água como um elemento comum à vida tanto em ambientes de gravidade zero quanto em ambientes de gravidade planetária, preponderando-se, em ambos, um equilíbrio das condições climáticas necessárias a um planeta ou a uma estação orbital, tendo-se o exemplo da Terra Original onde o ciclo da água se constituiu na viabilidade de gerar a vida. A Terra, sem a água, seria o planeta Marte ou Mercúrio, porque a água transforma uma terra desértica da mesma maneira que Hanna notava, num vaso, uma planta se desenvolver com uma simples rega periódica de água com nutrientes básicos funcionais, rega que, de tempo em tempo, umedecia o substrato onde a planta tinha suas raízes, e eram essas raízes as que obtinham, do substrato e por meio líquido, a alimentação necessária para as células de todo organismo. Mas seria simplificar demais todo um processo biológico que Hanna compreendia por meio de seus estudos que cobriam desde a formação do DNA à criação desse espaço orbital fora da Terra que não tinha uma manutenção natural de sua atmosfera ou de qualquer ambiente artificial criado na Nave pelo ser humano.
Cabia à Hanna monitorar essa Atmosfera Regular para Conservação Ambiental, ou a ARCA, em que estavam o banco criogênico de amostras de DNA das espécimes e os Módulos de Viabilização da Vida, onde espécimes vivas habitavam ecossistemas referenciais do habitat da Terra Original.
A ARCA era o centro da estrutura de toda Nave e, por esse motivo, Hanna, Bióloga e Geneticista da Nave Interestelar COS121418, dedicava-se ao seu funcionamento. O motor era um gerador de energia em campo quântico ou um “pedaço de Sol” vital à reserva biológica e à produção de matéria orgânica necessária à manutenção dos habitats inicializados para futuras colônias humanas. Mas não era o Sol, era um reator de fusão nuclear associado a uma engrenagem de tratamento de resíduos orgânicos que, em decomposição, resultavam no hidrogênio que em larga escala produzia a energia necessária para os motores a propulsão da Nave e à rotação do OVO, movimento que gerava o campo gravitacional mínimo para a manutenção das espécies durante a viagem interestelar.
Mas por mais próximo que os benefícios do reator chegassem a uma luz do dia natural, a claridade obtida pelo gerador de energia não chegava a ser de uma atmosfera de um planeta onde se avistasse um céu, mas era uma luz crepuscular que se dava dispersa pelos ambientes, uma claridade indireta, ainda que parecendo de dia.
O “OVO”, ou “Organismo em um Vórtice Orbital”, havia sido projetado para servir de estrutura central da Nave COS121418, tendo origem em um laboratório de satélites orbitais que, no século XX, acompanhou os lançamentos das sondas Voyager 1 e Voyager 2, quando a equipe de cientistas encarregada do projeto, trabalhou a ampliar a premissa da missão das sondas, compreendida, então, como uma tecnologia humana que visava explorar os confins do espaço interestelar, depois de serem estudados, no percurso, os planetas Júpiter e Saturno, tendo-se, no interior das sondas especiais, um disco de informações a retratar a riqueza da vida na Terra e o testemunho do desejo humano de se conectar com o cosmos.
A história da equipe de cientistas responsável pela criação da Nave COS121418 era conhecida por todas as pessoas que se envolveram no desenvolvimento e lançamento da Nave, cerca de mais de cinquenta anos depois da elaboração do seu projeto. Foram décadas de estudos e de experiências tratadas à observação de três valores permanentes: a permanência de recursos, considerando a obsolência programada de tudo que existia nas sociedades do início do século XXI; à manutênção desses recursos, estudando-se cada uma das etapas da produção e consumo do que, em última análise, era energia condensada em uma matéria pela qual se obtinha nova forma de energia, transição a ser pensada em cada uma das fases do ciclo por inteiro; e equilíbrio das formas, sendo o maior desafio à continuidade de todo sistema biológico-sintético.
Sobretudo, a partida da Terra com o lançamento da Nave ao espaço era considerada o maior experimento de todos, pois os seres vivos, que dentro dela viajavam, eram cápsulas biológicas com uma navegação própria, uma programação feita para que permanecesse todo sistema em funcionamento por centenas de anos que eles fossem viver no espaço.
Hanna dedicava-se a maior parte de seu tempo ao Ovo, porque era onde melhor ela se sentia dentro da Nave. Lá, ela atuava em pesquisas ao desenvolvimento de soluções ao futuro da Estação Orbital em que o centro da Nave Interestelar COS121418 se constituía protótipo, seguindo alguns princípios de uso energético como o aplicado aos trajes espaciais, dentro dos quais, entre as linhas do tecido, se conservava uma pasta à base de cadeias de açúcares que em contato com o calor, liberava oxigênio respirável, sendo um gel, era colocado entre as fibras resistentes dos trajes espaciais, podendo ser usado sobre o rosto, embora se exigisse o uso de capacetes para fazer o papel de brânquias em relação ao espaço, eliminando o gás carbônico da respiração de quem os vestisse, e retirando o oxigênio do gel e da pasta.
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