O jardim de Hanna
Terceira Parte do Conto da série “Histórias inspiradoras” – De nosso diário de bordo – ano 2025 – gênero de Ficção Especulativa.
Por mais de cem anos, as estrelas, as que Hanna podia ver pelas claraboias da Nave Interestelar, eram pontos luminosos no cosmos, da mesma forma que a Terra repousaria sobre o tecido do espaço infinito, em algum ponto, como uma luz azul feita de uma realidade da qual Hanna saberia ser seu planeta natal.
Qual a origem da abundância?
A Nave Interestelar tinha uma história particular como projeto de um futuro possível, embora incerto. Era como outras experiências de mesma natureza de renovação, tal qual um bunker, feito sob o gelo no Continente do Ártico, isso no século XX, onde se guardavam amostras de sementes da Terra Original, mas que, também, podiam nem mais existirem no ano de 2151, além do que a tripulação da Nave COS121418 nem tinha as coordenadas certas à localização do bunker, somando-se a isso, ainda, o fato que eles tinham dúvidas se as sementes germinariam caso achassem o lugar, passados mais de cem anos e sob as mais adversas condições ambientais.
Entre a tripulação, era comum uma mesma experiência de se recordar da bioesfera terrena como um lugar único quanto à existência singular de uma força relacionada à multiplicação da vida dentro de um sistema adaptável de relações interdependentes, e todas ligadas ao Sol.
Para Hanna, em seu particular, era essa experiência bem mais do que uma lembrança da ecoesfera da Terra, porque ela podia sentir a sensação do vento quando, na Nave, não havia vento, o que, então, lhe era apenas uma memória, mas que, ao mesmo tempo, também se tornava algo além e algo de que Hanna conservava consciente dentro de si através do seu próprio passado e, apenas pelo seu passado, ela conseguia enfrentar seu desafio gigantesco que era de cuidar de todas outras dimensões da Nave, porque, afinal, eram dimensões observadas sempre como partes de um mesmo organismo vivo e que, também, existia independente como um único ponto finito de todo cosmos a ter consciência da necessidade de sua própria manutenção e subsistência, o que, no final, representava ser um artifício humano para viajar pelo espaço infinito.
Hanna não desanimava da jornada por isso, porque, diante dessa experiência de ela poder existir, por séculos, nessa cápsula que, enfim, poderia ser chamada de tempo, simplesmente, não era isso que a fazia esmorecer, já que essa era uma perspectiva de uma vida em que, sendo jovem por séculos, poderia se sentir presa a um corpo como sendo esse um resultado esperado de um desenvolvimento de todo sistema construído para permanecer vivo, onde a ação do cuidar representava a manutenção saudável do organismo como um todo de que se tratava a Nave.
Como em outros tempos, era de uma mesma natureza de humanidade que se veria o ser humano à própria sorte, e não por acaso. O projeto da Nave Interestelar COS121418 tinha por motivo a perspectiva de não haverem outras possibilidades quanto ao futuro do planeta em que os cientistas projetistas viviam, se não, não teriam eles enviado uma “Arca de Noé” ao espaço. Mas, ao em vez de um grande dilúvio, era a imensidão do infinito que correspondia à jornada e ao posterior retorno da Nave à Terra, considerada essa um lar.
O efeito da viagem na tripulação foi o de um sentimento comum de se verem levados ao momento da criação dos elementos da vida, momento em que viriam a cumprir um papel necessário para escreverem, dados alguns passos, a existência novamente conhecida.
O sentido de permanência e continuidade
Hanna vivia em um laboratório onde plantas cresciam sob uma claridade artificial e em um ambiente sem qualquer ruído ou movimento. Eram plantas que pareciam contradizer todo o trabalho de Hanna por se mostrarem estéreis ao que cresciam no vazio. E esse era o seu maior medo, quando as plantas demonstravam um futuro estéril pelo fato de eles se perderem simplesmente no espaço interestelar sem que cumprissem a missão.
Depois, juntava-se a isso a falta de Sol, porque Hanna vivia sob a claridade do interior da Nave, crepuscular; claridade de um clima que levava a uma sensação quase constante de que iria amanhecer o dia, algo que nunca acontecia, traduzindo-se tudo num ambiente fresco e sem uma luz que aquecesse a pele.
Porque, como um tardígrado, a Nave Interestelar COS121418 havia sido projetada para ser um organismo capaz de sobreviver no espaço, hibernando como uma cápsula e semente para um tempo futuro e a reinício da Terra Original.
Hanna em seu jardim
A memória de sua missão era a permanência e a durabilidade de tudo que se criava na Nave, considerando-se a autenticidade de cada parte envolvida no todo e que contribuía para uma mesma realidade em relação a tudo. Portanto, tratava-se de uma entre outras formas de continuidade quanto aos elementos da vida conhecida pelos seres humanos. Uma esperança depositada ao futuro ao longo dos séculos e dentre tantos milênios, um conhecimento que unia desde o início da grafia e da escrita até à construção de uma Nave Interestelar.
Porque era essa uma promessa de retorno a um tempo sagrado quanto à criação, o lar dentro de uma intimidade que Hanna percebia existir entre ela e o cosmos, uma relação em um plano subjetivo onde ela não envelhecia.
Por outro lado, ainda em suas memórias, estavam as flores das quais podia ela se lembrar; e um jardim que a trazia a um caminho quanto à criação e a uma existência conhecida como uma realidade vital em razão de um propósito a ser alcançado. E Hanna sabia disso, desse sagrado meio termo entre criador e criatura. do diálogo dentre a relação de uma mesma unidade que formavam as asas de um conhecimento maior. Essa capsula do tempo, assim, representava a ideia do futuro da Terra, o mesmo ecossistema de espécies ou dos seres que viriam a ser descobertos com as transformações de toda criação que, enfim, humana, representava uma Arca de esperança em meio ao nada da existência em que podia ser, talvez, resumido o futuro.
O diálogo desse conhecimento lhe era uma folha de papel em branco, dada a quem pode escrevê-la como a colocar um ponto claro no espaço infinito, e, assim, determinar um círculo dentro do qual uma área física se transformava numa cápsula onde tudo se levava para o amanhã como se fosse uma bagagem.
O jardim de Hanna, não sendo diferente, se tratava de se encontrar ou não em equilíbrio, de tal forma que todo ecosistema da Nave se desse à realidade de cada parte.
Nessa relação o ser humano transformava o espaço ao mesmo tempo em que era transformado pelo meio, resultado de uma totalidade de existência que o compreendia como a um único ser, algo que justificou a razão do projeto Nave Interestelar existir, porque haviam os pressupostos a um desenvolvimento de um conhecimento humano, entre os quais o de uma igualdade subentendida entre os seres humanos nessa condição de diálogo entre dois pontos comuns em um mesmo espaço sagrado. E nessa escrita plural da criação em relação a uma ação criativa, se desenvolvendo uma história que se formava pelos destinos que se cruzavam no momento de diálogo e de aprendizado quanto a algum conhecimento de suas existências.
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