A Aldeia De nosso diário de bordo
A Aldeia é um pouco o instinto de gatos e a intuição de gente traçando um espaço que chamamos de lar, do qual saímos e ao qual voltamos por meio de passagens que nem bem certo compreendemos que relação tem com os nossos destinos.
Fotografia da cachoeira que se encontra à entrada da Aldeia:
Se um dia você nos visitar, talvez tenhamos a oportunidade de reparar numa atmosfera que reconhecemos por aqui em casa e que nos parece levar a uma tranquilidade e a uma paz, quem sabe, pouco comum de se encontrar em qualquer lugar.
Poderemos reparar, por exemplo, que em dias nublados e de janelas fechadas por vidros, o voo de insetos, daqueles minúsculos borrachudos que ficam presos pelo lado de dentro de casa, se dá, então, interrompido devido a um limite invisível de fronteiras erguidas a um minúsculo mundo, ainda que seja feito de insetos com asas, e essas asas, conforme suas formas, sejam chamadas de himenópteras, de dípteras, de coleópteras e ortópteras, e tenham elas todos os demais conceitos que se relacionem aos invertebrados que dominam um mundo inteiro, embora alguns se encontrem presos sem compreender bem o que signifique isso.
Ana Balesca e eu estamos em um mesmo espaço em que nos encontramos à escrita, encontro que se dá ao que compartilhamos esse bem querer comum, entres pessoas e seres que nos acompanham. É ela que me adverte:
“E nem tudo são flores”.
“Sim”, concordo com ela e digo-lhe num raciocínio que se alonga pelo nosso espaço entrecortado por insetos minúsculos que voam de um vidro a outro:
“As recordações são zumbidos nos ouvidos da gente. Às vezes, zumbidos de abelha que nos chamam atenção para o alimento que é doce, e de que, no quintal, também tem fruta madura”, lhe falo, referindo-me à geleia de framboesa que foi feita por ela a partir das frutas que ela havia colhido dias antes, e que agora estava sobre a mesa na forma adocicada que adere a uma fatia do pão que, aliás, também é obra dela.
A casa e a Aldeia tornam o circulo de nossa vivência subjetiva um limite para além de nosso lugar no mundo, uma vez que é reconhecido por uma forma comum de estarmos dentro desses espaços de fronteiras subjetivas, dentro dos quais encontramos consideração e respeito.
De nosso diário de bordo, 26 de novembro de 2023
Ao lado, imagem do cacho de bananas colhido do quintal:
