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A casa aberta

A luz do abajur desenhava um círculo discreto sobre a mesa.

Foi dentro dele que o homem escreveu as últimas palavras do texto. A frase falava de janelas abertas para um céu azul. Quando o ponto final encontrou seu lugar, os dedos deixaram o teclado como quem se afasta de uma conversa que chegara naturalmente ao fim.

Com a mão livre, levou a caneca aos lábios.

O café ainda conservava o calor da manhã.

Antes de sorvê-lo, soltou um suspiro breve, desses que não anunciam cansaço nem alívio. Apenas acompanham o instante em que uma tarefa deixa de existir.

A casa permanecia aberta.

Pelas janelas, a claridade atravessava os cômodos sem encontrar resistência. O céu mantinha um azul tranquilo sobre o verde do quintal, enquanto, na lareira, um fogo modesto parecia aquecer mais o silêncio do que o ambiente.

Então veio a brisa.

Entrou por uma das janelas, atravessou a sala e encontrou saída do outro lado da casa. Seu percurso só se revelou quando uma folha, repousada sobre a mesa, ergueu um dos cantos por um instante, voltando logo depois ao seu lugar.

O homem acompanhou aquele movimento com os olhos.

Não havia novidade no vento.

Também não havia novidade nas janelas abertas.

O que parecia novo era o encontro entre os dois.

Permaneceu imóvel por alguns instantes.

Pensou em quantas vezes esperamos, das portas, aquilo que pertence ao caminho.

Talvez houvesse uma diferença silenciosa entre abrir passagem e produzir chegadas.

A primeira dependia das mãos.

A segunda, nem sempre.

A caneca voltou lentamente à mesa.

Na tela, o texto permanecia exatamente como havia sido deixado. Nenhuma palavra se moveria dali por vontade própria. Ainda assim, havia algo curioso naquela quietude.

Escrever parecia menos um gesto de concluir do que o de deixar alguma coisa preparada.

Do lado de fora, o dia seguia seu curso.

Dentro da casa, tudo permanecia em seu lugar.

Em algum outro tempo, talvez naquela mesma casa, alguém abriria aquelas palavras como quem abre um livro esquecido sobre uma mesa.

Não encontraria o café ainda quente.

Nem a brisa.

Encontraria apenas o que havia permanecido.

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