Oficina de James Watt
Edição Especial de Inverno 2021
Parece que em tudo feito pela ciência se encontra presente alguma paixão particular de cientista pelo objeto de seu estudo, porque talvez seja essa a ideia de tecnologia quando se aplica ali o que se observa pela atividade de uma ciência.
Sabe-se, por exemplo, que a palavra cybernétique em francês de 1834, tinha, por referência, as ciências que governam um sistema de classificação de conhecimentos humanos numa tecnologia de parâmetros, pois é disso que se trata uma classificação qualquer desde antiguidade das civilizações.
Ciber tem origem no verbo grego kybernéo, cujo radical é kybern, significando dirigir um navio, pilotar. E um dos primeiros mecanismos a utilizar um princípio de regulação automática foi desenvolvido para medir uma passagem de tempo: clepsidras – “Nestes, a água fluía de uma fonte, como um tanque num depósito e desde o depósito aos mecanismos do relógio. Ctesíbio usou um dispositivo flutuador em forma de cone para controlar o nível da água represada e ajustar a velocidade do fluxo da água para manter um nível constante de água represada, de modo a não transbordar nem a ficar em seco. Esta foi a primeira hipótese verdadeiramente de um dispositivo normativo que não requer a intervenção externa entre a retroalimentação e o controlo do mecanismo”.
Mas como princípio começa, ainda antes, com a teleologia (do grego telos, que significa “meta” ou “propósito”), embora, em máquinas, como sendo processo de retroalimentação corretiva, somente em fins de 1700.
O motor a vapor foi invenção de 1698, de Thomas Savery, engenheiro militar inglês, sendo, o motor, um maquinário utilizado nas fábricas como força motriz a uma economia em transformação sob os impactos tecnológicos da Revolução Industrial. Thomas Newcomen desenvolveu uma máquina utilizada dentro de minas de carvão com a finalidade de bombear água para fora das áreas escavadas, sendo mais lenta a rebocar cargas pesadas para dentro e para fora das minas através de elevadores de fosso comuns na Grã-Bretanha de 1712. O primeiro carro a vapor foi criado em 1769 por Joseph Cugnot, inventor que se envolveu “naquele que é tido como o primeiro acidente rodoviário motorizado da história”. Mas somente em 1777 foi que o motor a vapor de Newcomen foi aperfeiçoado, já que dispendia um tempo de repouso para resfriamento das caldeiras que davam, ao sistema de pressão movida a água quente, um meio de impedir que se explodissem frente a um aquecimento contínuo, o que acontecia de modo corriqueiro nas minas de carvão, e que, como evento, causava mortes entre os mineiros baixados à terra como carne viva às entranhas de Hades.
Essa inovação se deve ao James Watt, fabricante de instrumentos londrino, que percebeu uma falha no projeto original de Newcomen, criando, Watt, um segundo cilindro equipado com um limitador de velocidade na forma de uma bomba centrífuga ao motor. Artigos teóricos sobre os limitadores de velocidade foram, então, descritos e aperfeiçoados por princípios de autorregulação feito por meio de dispositivos. E, então, sociedades de negócios relacionados às invenções, às patentes e às construções mecânicas surgiram em todo período, a exemplo de James Watt, matemático e engenheiro, e Matthew Boulton, comerciante e fabricante de Birmingham, em Londres, que herdara um negócio de vestimentas, e que fundaram, juntos, a Boulton & Watt, atuando no ramo de engenharia a motor a vapor.
Os sócios fabricavam peças e motores a vapor, em 1795, numa propriedade a cerca de um quilômetro da fábrica do Soho, nas margens do Canal de Birmingham, estabelecendo uma fundição para a fabricação dos seus motores. E em 1796, ano de nosso desembarque, a Soho Foundry foi inaugurada à produção de motores que permitiram aumentar o rendimento da máquina de Newcomen, patenteada por Watt em 1769. E numa revolucionária observação dos dispositivos mecânicos por Boulton, o efeito manivela do pistão para produzir uma grande força rotacional converteu em movimento recíproco o mecanismo de biela-manivela inventado pelo inglês James Pickard em 1780, transformando o movimento retilíneo alternativo do êmbolo da máquina a vapor em um movimento rotativo de volante, o que decisivamente se tornou um avanço mecânico à Revolução Industrial.
De nosso diário de bordo, dia 23.
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