A arte ao encontro de si

A Aldeia De nosso diário de bordo

Existe um ritmo a cada um de nós, mas é interessante observar que, apesar das tantas diferenças, gatos, insetos e seres humanos possuem um fluxo de momentos comuns, como o momento de se recolher para ir dormir e o momento de se despertar ao Sol nascer.

O tempo da gente é precioso e ainda mais precioso é o tempo dedicado de forma espontânea em cada encontro. Afinal, cada encontro é um marco que sinaliza alguma história em que se entrelaçam as mudanças de endereços ou de algum encontro que se dá em razão de uma construção de uma casa, sendo um momento em que temos a oportunidade de conversar sobre quais são as nossas pontes fundamentais, as que levamos à vida da gente como uma família e nau em que, enfim, podemos dizer, nos mantemos unidos há milhares de anos. Considere esse contínuo existir no tempo pela transição de períodos do pré-histórico ao histórico como no Egito Antigo: arcaicos tempos de arcanos da escrita, com suas marcações temporais em dignas notas quanto ao que é jornada que se cumpre pela metafórica abóboda celeste da criação, onde estão deuses e suas dádivas, síntese de um conhecimento que se troca entre o dar e o receber de experiências dentro de um ciclo de se alimentar algo, como uma obra, e ser alimentado por um ritual que nos liga a uma coroação simbólica, como da colheita, quando, há milhares de anos, há um casamento sagrado em que se encontra a relação humana, que somos, com o seu espaço: uma religação que é o contexto desse nosso cosmos onde tudo acontece, como é, também, o nosso sentido de um lar constante onde a gente habita, no que é construído a partir de dois, como origem dividida, mas primordial, de uma mesma e única concepção que, em suas duas partes, possuem seus duplos perfeitos dentro de si como um mesmo elemento que se encontra em jornada.

Assim nascem personagens como o são o escriba Ani e a dançarina Thuthu pelos escritos de uma obra descrita através de sinais hieróglifos há milhares de anos. Porque, desde o Antigo Egito, é assim que se sonha e se registra os tempos imemoriais, onde, também, é espaço que se descreve como o que se tece, como o que se cozinha à base de fogo há milhares de anos; como o que se tem filhos, assim, há milhões de anos. Porque são formas de se ver as passagens dos eventos no tempo de um mundo, ou modos para se alcançar um mundo além que é, assim, ponto, ainda, desconhecido.

Portanto, nos encontraremos em razão de vivermos através de uma mesma linguagem simbólica figurativa hieroglífica e epigráfica, e também numa dimensão à compreensão além material, num espaço definido por sinais. E é, assim, que o mundo tecido por aranhas pode ser um lugar mágico no espaço do nosso sagrado em que há a nossa Aldeia, numa relação em que se testemunha sobre uma humanidade em sua evolução há milhares de anos.

A Aldeia é uma região de mata que se preenche com a cor dos olhos de Ana. Também, um lugar onde o tronco de uma árvore caída na estrada pode ser um aviso de algum impedimento que exige um momento de pausa a quem quer que se aproxime, como se o tronco pudesse estar vivo e uma vez consciente, se transformasse, do aparente nada, em chamas e em pó, tal qual a relação do ser humano com seu próprio espírito criativo.

Então chegamos ao nosso caminho descrito na abóboda celeste de um céu noturno. As estrelas, nesse original tempo mítico, dão-nos no início dos tempos em que se fixa o maior arquétipo humano à transformação, trata-se de um evento mágico como o que seria a jornada de Ani junto à Thuthu pelo Egito Antigo enquanto viviam as suas mais extraordinárias experiências em que ambos se encontram unidos pela fé.

Ideia da casa na década de 1990

Os conhecimentos transmitidos por signos organizados em caracteres fonéticos relacionados à escrita foram os responsáveis pela possibilidade de uma combinação infinita de sons e formas de combinações em palavras, em um argumento que é fundamental a todo pensamento organizado, definindo pela palavra escrita os espaços e seus elementos, como se num templo onde uma ação descrita fosse o estado esperado a se tornar real como um presente ou dádiva. Dessa relação, a epigrafia, que é a criação de uma comunicação com a além realidade, como inscrição para o além. traz a consciência ao pensamento de um comportamento instintivo, intuitivo e racional, numa nítida evolução do intelecto sobre a ação mental.

De nosso diário de bordo, 17 de dezembro de 2023

Ideia da Aldeia na primeira década do século XXI

Gi Nascimento

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